Outros
nomes: violeta-de-cheiro, violeta-africana, viola-roxa, violeta-européia,
violeta-perfumada, violeta-roxa, amor-perfeito, violetinha, Violeta (espanhol),
violette (francês), violet (inglês), violetta (italiano).
Partes
Usadas: sementes, raiz, folhas e flores.
Sabor:
doce, amarga, picante e fria.
Constituintes
Químicos: FLORES: mucílagem, óleo essencial (traços), ácido salicílico (pequena
quantidade), antocianosídeos (violamina). RAIZ: alcalóides: odoratina; saponinas.
Existe
uma violeta tão delicada quanto a violeta africana, mas que além da beleza
apresenta outros atributos: um suave perfume e propriedades medicinais.
Trata-se da Viola odorata, planta da família das Violáceas, não tão conhecida
no Brasil como a africana. Elas realmente se parecem muito, mas as diferenças
são fundamentais: as flores da Viola odorata são perfumadas e de cor roxo
intenso, as folhas são ovais, lisas e apresentam uma haste longa; enquanto que
a violeta africana não exala perfume, possui folhas aveludadas, com formato
redondo e as flores são de cores variadas, além de não apresentarem nenhum
valor medicinal, apenas decorativo.
A Viola odorata é originária da Europa, mas se
estende praticamente por todo o mundo. Seu habitat natural são os bosques e as
zonas sombreadas e úmidas. Trata-se de uma planta muito fácil de ser cultivada,
podendo crescer bela e saudável até mesmo dentro de casa.
A
medicina homeopática começou a aplicar os poderes curativos da Viola odorata
por volta de 1829. Nessa época, ela já mostrava sua eficiência, conhecida desde
a Antiguidade, contra sinusites, tosse, dores de ouvido, rouquidão e
reumatismo. Os povos antigos usavam a florzinha, sabiamente: em coroas contra
as dores de cabeça.
Em
1829, o médico alemão M. Staptf começou a utilizar a Viola odorata na
homeopatia, visando o tratamento de dores de ouvido, sinusites e reumatismos. O
resultado foi surpreendente. É claro que as doses e diluição devem variar de
acordo com o paciente, o que explica porque o uso deve ser feito rigorosamente
sob controle médico.
Mais
tarde, seu uso foi estendido assim que a planta demonstrou suas virtudes como
expectorante, antiespasmódica, sudorífera, diurética e anti-inflamatória. As
propriedades desta planta se estendem pela cosmética, onde suas flores são
usadas como matéria-prima para colônias, talcos, desodorantes, sabonetes e,
acreditem, chegam até na cozinha, pois as flores são simplesmente deliciosas,
sendo empregadas na fabricação de geleias ou doces cristalizados.
A
medicina popular aproveita bem as flores e raízes da planta, uma vez que as
folhas apresentam poucos princípios ativos. O macerado das flores e raízes é
muito usado para limpeza dos brônquios, contra conjuntivites e inflamações do
nariz e da garganta.
Entretanto, é fundamental não
esquecer de um detalhe: as raízes da Viola odorata apresentam um alcalóide – a
violina – cujas propriedades químicas são razoavelmente tóxicas, podendo causar
vômitos e diarreias. Mais uma razão para não usar a planta como remédio
indiscriminadamente. A planta também apresenta outros componentes ativos: óleo
essencial, violamina, alcaloides (odoratina), emetina, irona e glucosídeos.
Na
tradição de vários povos, credita-se a esta flor alguns poderes mágicos: dizem
que a pessoa que colher a primeira violeta que se abrir na primavera, atrairá o
verdadeiro amor, o seu perfume é considerado um ótimo afrodisíaco, além disso,
essa violeta era usada como ingrediente na preparações de antigas “poções do
amor”.
Efeitos
Terapêuticos: Antiséptico, diurético, expectorante, laxante, sedativo e
considerado ótimo afrodisíaco (para problemas sexuais). Pode atenuar os
sintomas da menopausa (irritabilidade e ondas de calor). Descongestionante do
fígado. Exerce efeito purgativo na urina. Trata dores de cabeça e vertigens.
Indicações
(Uso Interno): distúrbios gastrointestinais; dismenorreia; para perda de libido
e impotência; anorexia; hemorragias; desconforto abdominal; cansaço; digestão
lenta; asma sem secreção; amenorreia; calafrios; choques; diarreia; dores de
cabeça e de estômago; escrófula; extremidades frias; espasmos; febres a dinâmicas;
gases; gripe; hemorragia de parto; hipotensão arterial leve; inflamações do
rosto; metrorragia; paralisia da língua; queimaduras por frio; respiração
ofegante; ulcerações da gengiva e mucosa da boca; úlceras estomacais por
estresse; equilíbrio dos triglicerídeos; vômitos nervosos; disenteria; melhora
funcionamento dos rins; dores articulares; tensões musculares; esperma torreia;
congestões nasais; bronquite; afecções respiratórias; estimula circulação;
candidíase; cólicas; síndrome de fadiga pós-viral; tinha; enxaqueca; germes do
couro cabeludo; age no Baço e no Pâncreas; soluços; problemas hepáticos; palpitações;
auxilia a contração do útero no parto; melancolia; náusea; ansiedade e insônia
em idosos; neuralgia do trigêmeo; cólicas intestinais; acrocianose;
sensibilidade ao frio; depressão; demência; espasmos da musculatura lisa;
miastenia gravis; complicações da Diabete Mellitus; para emoções fortes;
síncopes; melhora a vitalidade; alivia cansaço; traz cor ao rosto; intestino
irritado; diverticulose; inchaços; epilepsia; baixa libido; tonifica e faz a
constrição dos tecidos corpóreos; alivia congestão; eleva as funções
cognitivas; anemia; é ativo frente a Pseudomonas aeruginosa, Salmonella typhi e
paratyphi, Escherichia coli, Mycobacterium tuberculosis, Candida albicans e
Aspergillus spp.; estimula a função de outras ervas medicinais no organismo;
purificador do sangue; previne infecções; preveni problemas estomacais;
congestão dos seios da face.
Indicações
(Uso Externo): picadas de insetos; escoriações; inflamações da boca e da
gengiva; pele irritada; afecções oculares.
Indicações
Pediátricas: xarope da pétala para expectoração e tosse infantil.
Utilizações
na MTC: clareia calor e elimina toxinas; elimina calor e umidade; elimina fogo
tóxico; resfria o sangue; indicada em padrões de umidade-calor do exterior que
afeta a pele.
Classificação
da Erva na MTC: Categoria 2 – Ervas para reduzir calor do corpo.
Elemento
predominante na MTC: Madeira.
Ayurveda
(Ação nos doshas): nome no Ayurveda: Tvak, Daalchini. Reduz Kapha, equilibra
Vata e aumenta Pitta. No entanto as partes mais doces da planta podem pacificar
Pitta. Planta sattwica que fortalece o agni digestivo. A canela é especialmente
benéfica para o tipo Vata por ser uma erva do tipo doce com suas propriedades
carminativas, calmantes e que despertam o agni digestivo. A planta atua sobre
Vyana vayu (fluxo circulatório). Também tem ação sobre os tecidos (dhatus)
plasmático, sanguíneo, muscular, nervoso e medula óssea e com mais intensidade
nos sistema urinário, respiratório, digestivo e circulatório. Deve ser evitado
em distúrbios de Pitta.
Aromaterapia:
o óleo essencial é um ótimo detergente para poros e feridas, um suave
analgésico e um ligeiro soporífero. Suas propriedades sedativas combatem a
insônia e eliminam a sensação de irritação e ansiedade. Acredita-se que ajuda a
recupera os laços de amizade. Tem afinidade com os rins e tende a exercer um
efeito diurético na urina beneficiando infecções urinárias. Ajuda a dissolver
congestão geral do organismo e possui propriedades laxantes. Descongestionante
do fígado, benéfico para o sistema respiratório, suaviza inflamações de
garganta, rouquidão e pleurite. Dissolve mucosidade e ajuda a aliviar a
congestão da cabeça tratando cefaleias e vertigens. É considerado ótimo
afrodisíaco e benéfico para casos de problemas sexuais. Pode atenuar sintomas da
menopausa como irritabilidade e ondas de calor. Suas propriedades analgésicas
são indicadas para caos de gota e reumatismos. Antisséptico útil em tratamentos
de feridas, hematoma, pele congestionada, inchaços e inflamações. Ajuda na
cicatrização de rachaduras em mamilos.
Essência
Floral:
FLORAIS
DAS GERAIS - timidez; delicadeza; falta de confiança para se expressar; medo de
falar em público.
FLORAIS
DE MINAS - Viola: acanhamento; fragilidade psíquica; timidez; medo de se expor;
solidão.
Contra-indicações:
não deve ser usada em crianças; o uso externo pode causar dermatite de contato;
deve ser evitada em síndromes de frio; na gravidez e na lactação. A raiz em
doses elevadas pode causar vômito. Pode também causar diarreias em pessoas
sensíveis.
Interações
medicamentosas: combinada com Verbena officinalis é excelente para tratar
coqueluche.
Paracelso
atribui ao uso das raízes da planta a capacidade de permitir ver o futuro.
Habitat:
espécie alóctone, originária da Europa, Ásia Ocidental e África, crescendo em
prados, relvados, charnecas e bosques abertos. É encontrada até 1.000 de
altitude.
Descrição
botânica: planta herbácea ou vivaz, polimorfa, acaule, pubescente. Cresce 10-20
cm de altura. Rizoma espesso, vivazes, com estolões alongados, radicantes e
floríferos. Raízes nodosas, ramosas, esbranquiçadas, munida de numerosas radículas
fibrosas. As folhas são dispostas em roseta, partindo de uma cepa. As folhas
são radicais, verde-escuras, ovais-cordiformes ou reniformes, longipecioladas,
obtusas, crenuladas, as dos estolões do ano anterior reniformes. As flores
surgem na extremidade de pedúnculos que partem também da cepa e apresentam um
perfume muito suave. Apresentam cor violácea intensa e são suavemente
aromáticas. Pedúnculos glabros, recurvados na parte superior, os frutíferos
deitados. As sépalas são ovais-obtusas. Estigma em gancho agudo. Cálice e
corola com 5 sépalas e pétalas, respectivamente. Cápsula subglobosa, violácea,
unilocular, polispermia, pubescente.
Observações:
os antigos acreditavam que era uma moderadora da raiva; fortalecedora e
confortadora do coração e promotora do sono revitalizador. As folhas são
cristalizáveis para o preparo de doces. A essência serve para perfumar doces,
caramelos e bolos. Também utilizada em perfumarias e indústria de cosméticos. É
planta ornamental. As flores conferem sabor delicado às saladas, quando
misturadas ao leite de cabra.
A
violeta que enfeita nossas casas e compramos em vasinhos no supermercado,
aquela de folhas carnudas, é a chamada violeta africana (Saintpaulia ionantha)
e na verdade nem sequer pertence a família Violaceae. Estamos falando da Viola
odorata, também chamada ‘sweet violet’, planta herbácea de origem europeia.
Cresce
em estado selvagem e é cultivada na Ásia, França e na América do Norte. Suas
delicadas flores roxas, brancas ou variegadas aparecem no início da primavera.
A violeta era o símbolo da deusa Atenas e foi uma das flores favoritas de
Napoleão Bonaparte. No século 19, os perfumes à base de violeta eram muito
populares.
No
século XV podia ser encontrada em todos os jardins de mosteiros, para uso tanto
na preparação de alimentos quanto medicinal. Ela era utilizada para aliviar
melancolia e para curar dores de cabeça e insônia, até mesmo em bebês:
colocavam-se as suas flores sobre seus travesseiros.
Em
1829, o médico alemão M. Staptf começou a utilizar a violeta na homeopatia,
visando o tratamento de dores de ouvido, sinusites e reumatismos. A medicina
popular aproveita bem as flores e raízes da planta, uma vez que as folhas
apresentam poucos princípios ativos. O macerado das flores e raízes é muito
usado para limpeza dos brônquios, contra conjuntivites e inflamações do nariz e
da garganta.
O
aroma das flores da violeta é diferente do cheiro das folhas. A flor possui
aroma doce-amadeirado-floral devido a presença das iononas. Estes iononas foram
separadas primeiro de violetas de Parma por Tiemann e Kruger em 1893. A
descoberta de iononas acionou o sucesso da produção de notas de violeta
sintéticas. A paleta de perfume de iononas varia de aromas de violetas frescas
em flor para o amadeirado suave e nuances florais doces.
Já
as folhas emitem um aroma intenso verde, que se assemelha a grama aparada
combinada com uma pitada de pepino. No Sul da França dois tipos de violetas são
cultivadas principalmente pelas suas folhas – Parma e Victoria. O aroma fresco
de folhas de violeta é um componente de muitas composições de fragrâncias, que
vão desde floral fresco ao oriental e fougere.
O absoluto de violeta é obtido
de flores ou folhas e caules com solventes voláteis.
Na
tradição de vários povos, credita-se a violeta alguns poderes mágicos: dizem
que a pessoa que colher a primeira violeta que se abrir na primavera atrairá o
verdadeiro amor!
As
flores são comestíveis e podem ser consumida in natura em saladas ou na forma
de xaropes. É comum o uso de violetas açucaradas com açúcar de confeiteiro. As
folhas não são comestíveis.
Na
mitologia era considerada a flor de Zeus. Conta a lenda que Zeus estava
apaixonado por uma bela jovem chamada Io e, para protege-la de Hera, sua esposa
ciumenta, transformou-a em um bezerro. Depois, para alimenta-la com uma iguaria
delicada, Zeus ordenou à terra que produzisse uma linda flor em homenagem à sua
amada. A esta flor, ele deu o nome de Íon, a palavra grega para violeta.
Segue
aqui uma receita de ‘violetas cristalizadas’ para uso em confeitaria:
Escolha
violetas frescas muito perfumadas. Prepare uma calda, usando uma xícara de água
e ½ Kg de açúcar de confeiteiro. Ponha as violetas a ferver por um minuto nessa
calda, tendo o cuidado de colocar na caçarola uma quantidade pequena para não
amontoá-las.
Com
uma escumadeira, retire as violetas e espalhe-as sobre papel impermeável.
Aqueça o forno prévia e brandamente. Depois que as violetas estiveram passadas
na calda, coloque-as para secar em forno baixo, virando-as uma vez.
Contraindicações e efeitos
colaterais
A raiz da violeta não pode ser
consumida, pois apresenta substâncias tóxicas que podem causar vômitos e
diarreias. Por isso, apenas as suas folhas e flores são usadas na medicina
natural. Também é preciso ter cuidado com a quantidade ingerida, pois, em doses
elevadas, pode causar gastrites severas, nervosismo e depressão circulatória e
respiratória. As folhas e flores desta planta são comestíveis e também são
usadas no preparo de saladas, porém, apenas profissionais da culinária fazem
este uso, porque a ingestão em quantidade errada pode causar enjoos. Lembre-se
sempre do quão importante é consultar um médico antes de iniciar qualquer
tratamento, inclusive os naturais.
Toxicidade: sem toxicidade nas
doses recomendadas. Altas doses do rizoma e sementes causam severas
gastrenterites, nervosismo e depressão circulatória e respiratória.
Fontes:
Laszlo, Dina Alcântara, Ervanarium, Jardim das flores.
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